Perversões mentais doentias


Cores

  “Parar para escrever é sempre um encontro comigo, não adianta fugir da minha missão, assim me encontro e me reinvento. Estou no pé de uma árvore no meio de um dia cinza, caótico e de sentimentos desordenados. O verde da grama molhada dá cor e paz ao meu espírito. Tenho certeza que sairei daqui renovada.”

    Alice e seu mundo. Quantas vezes teve vontade de desistir... Quantas lágrimas derramadas em cada linha que escrevia. Os dias cinza não afetavam mais seu humor, mas ela se sentia sufocada por não conseguir ver o céu. O azul é o seu pedaço de verdade, seu pedaço de natureza em meio a uma floresta de concreto e leões famintos por sua essência. Então pensava: pra que desistir? O cinza e o azul têm funções antagônicas, mas são igualmente necessárias. Para Alice e para todo fio de humanidade que possa existir.

     Alice não vê a solidão como algo triste, ela não tem medo de si mesma. Sozinha, apenas com a presença verde da vida ela conseguia ver muito mais. “Os problemas mundanos ficam muito pequenos quando nos aproximamos de nós mesmos”. Alice escrevia na mesma freqüência em que existia. Sentia-se melhor a cada linha, mesmo sendo elas frutos de uma desordem mental completa.

     Alice tem o pulmão e o estômago frágeis e sua última pneumonia lhe deixou temporariamente surda. Ela sentia a atmosfera ao seu redor amarelada, opaca. Via lábios que se mexiam, mas não emitiam nenhum tipo de som. Sentia muitas pessoas ao seu redor opacas, tornando-se palavras vazias, corpos sem vida, seres sem alma. Tinha medo desses pensamentos, pois insistia em acreditar que todos têm alma, alguns apenas esquecem ou fingem que ela não está ali. A surdez lhe dava mais vontade ainda de se interiorizar e ouvir suas próprias vozes. Ela não estava presa em seu corpo e nem se sentia opaca, mesmo quando o mundo inteiro parecia estar.

       Alice procura o vermelho do amor em cada ser que a habita por dentro e por fora. E é essa paixão que a faz acordar todo dia e falar pra si mesma: não posso desistir. Não vou desistir de mim.



Escrito por Rafaela Uchoa às 12h54
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