Perversões mentais doentias


Das coisas que realmente importam

 

   E lá estava ela no fim do corredor encantadoramente perdida. Na verdade, o modo em que se via perdida não era nada além de uma preguiça de sua alma de se tornar plena. Ela se buscava nos livros, nas telas de cinema e nos quadros que pintava escondido, mas não se sentia reflexo de nada. Vontade de sacudir essa maluca pelos ombros e falar para ela que não falta nada, a não ser um olhar dela para ela mesma.

    Essa incessante busca que as pessoas tendem a fazer de si mesmas nos outros ou em todo pedaço de intensidade que acham por aí não leva a nada, sinto dizer. O negócio está aí mesmo, dentro da gente e de mais ninguém. Sinto muito, mas não adianta ver todos esses filmes desesperadamente na esperança de que Bergman tenha uma resposta para uma dúvida da sua alma. A arte ajuda, as pessoas nos tornam melhores, mas nada adianta se a gente não tiver a nós mesmos.

    Quero dar uma volta na orla e sentir a água do mar abençoando os meus pés. Outro dia me perguntaram por que não gosto do mar. Até então eu não tinha me dado conta disso, daí me veio a dúvida se era realmente eu que não gostava dele, ou ele que sempre me quer dizer demais. O universo está todo ali, não tem como negar. Ninguém, nenhum ser vivo por mais insensível que seja passa ileso pelo mar. E é tão bonito ver que, mesmo nos dias de hoje tão frios e cinzentos, as pessoas ainda "perdem" pedaços de seus tempos para observar o fantástico colorido que ganham as ondas ao serem tocadas pelos feixes de luz emanados pelo sol no fim de sua jornada diária. Quero tocar todas essas cores, quero trazê-las para mim, quero guardá-las para sempre dentro de tudo que sou. E consigo. Portanto não acho que eu não goste do mar e nem ela, mesmo quando ela insiste em não dar importância alguma para esse pedaço de vida maior que todos nós.

     De repente as coisas tornam-se tão fluidas e você se torna tão pleno de si que dá preguiça da pequinês desse mundo. Dá vontade de abdicar das suas responsabilidades e mergulhar num mundo de fantasia real proporcionado exclusivamente pelo que é intenso e verdadeiro, pelo que eu chamaria de alimento da alma e não de pura obrigação banal, sobrevivência ou rotina vazia. Por impulso ou não, acabo seguindo o meu eu e fazendo exatamente isso.

     E os sonhos revelam tudo isso. Tudo isso que tínhamos certeza sentir, temos a maravilhosa oportunidade de assistir durante o descanso dos nossos espíritos. Eu diria a ela que é muito maior que qualquer filme que ela possa assistir. Portanto, assistamos nossos sonhos, prestemos atenção em tudo que somos através disso, no que faça sentido ou não, no que seja palpável ou não, porque as pessoas têm que entender que nem tudo que existe faz sentido e nem tudo que somos está aí para vermos. Nós somos tudo que vibra, tudo que faz pulsar. E o alimento de todo esse universo infinito de nós mesmos são os nossos corações.



Escrito por Rafaela Uchoa às 14h11
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