Perversões mentais doentias


Angústia

 

     Trêmula, estou trêmula. Quinze cigarros em duas horas não resolveram. Ansiedade extrema de mundo. Argh. Pontadas no estômago. Dor cristalizada. Ugh. Travo na minha quase realidade. É díficl lidar com o ócio, seguido de sonhos ruins e materializados na presença de uma barata. É inadmissível a presença de uma barata dentro da sua casa, certo? Eu acho. Ainda mais quando se pensa um monte de besteiras antes, ela vem pra mostrar que está tudo caótico, você não tem mais controle do que habita a sua própria casa. A barata é nojenta, vil, uma verdadeira filha da puta! Ela desestabiliza qualquer um...

     Mas o grande problema não é a barata. O grande problema está sendo tão mundano quanto a porra da barata, mas a questão central não está na dita cuja. Tudo desaba. Pode parecer drama, mas tem certos momentos da sua vida que tudo e todos ao seu redor sofrem algum tipo de “rasteira da vida” deles e isso reflete diretamente em você. Pois é. Drama eu diria que não é, nem mesmo a aparição da barata. Daí você fica toda inchada, cheia de líquido retido no corpo porque você está ANSIOSA demais e a sua menstruação é brigada com a ânsia, que aqui dá no mesmo que ansiedade. E aí? Sonhos enigmáticos acompanham sua sina de mal conseguir dormir pensando no que pode ser, no que foi e no que não é. Como sua cabeça está completamente afetada por hormônios presos, o que você faz? Chora. Chora que nem uma madalena enfurecida, acha que é o fim do mundo e se encolhe pra vida. Mas dura pouco. Dura até você fumar mais uns cinco cigarros e ler alguma coisa. Seus amigos lhe consolam, sua dor de estomago continua e a imagem da barata está nítida na sua frente, mesmo depois de cerca de 12 horas passadas do episódio. Argh.

       Me sinto forte demais pra mim mesma e frágil demais para o mundo. E divido a culpa com ele. Culpa. Não há culpa na verdade, acredito nos momentos, posso? Ai, nem sempre. Nem sempre mesmo. Ou você vai de acordo com o tempo do mundo ou você fica para trás (dentro dele). E pra que eu preciso do mundo para transcender? A tal da necessidade empírica. Ah, então eu estou tendo que ser conivente com um monte de merda, desgraça, miséria, injustiça, massacre, violência, assassinatos da alma em nome de “experiência”? Mas essa porra está parecendo currículo! Assim toda a minha teoria contra ídolos dogmáticos religiosos ao longo da história vai por água abaixo. Então no mundo espiritual somos os desempregados e “deus” o patrão? Argh, devo estar contaminada de visão capitalista. Devem ser os hormônios.

        Aquela coisa de levantar, né. Da queda para levantar, ter isso dentro de si. Auto ajuda sem precisar de livros do Paulo Coelho, excelente. Quem sabe pintar o dia? Ou sair para ver o mundo? O coração disparado e você sem rumo. Daqui a pouco a luz volta, volta. E a calmaria se estenderá. O sol vai voltar a dar o tom. As cores vão ficar vivas de novo. Ai, Bergman, você me contamina com o vermelho vivo não de paixão, mas de dor. Vermelho. É forte, é vida, é morte, é prazer, é dor. Mais um cigarro para finalizar. A tremedeira passou. As lágrimas se foram. É hora de renascer. Vermelho.



Escrito por Rafaela Uchoa às 15h57
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