Perversões mentais doentias


Inodoro




O que aflige? O medo de não ser verdade? Vou rir de você quando diz que não acredita. Mariana está tão certa de si. Mais uma vez serei narradora, a metalinguagem sempre me atinge. Ela ouve uma música que a toca como nenhuma outra coisa consegue atingi-la. Incomoda o fato de nem todo mundo conseguir acompanhar sua genialidade. O que é ser gênio? Você se torna repetitiva nesse seu questionamento eterno de tudo, Mariana.

Olha pela janela, o que te aflige? Na verdade hoje não me sinto muito eu. Dá um gole, dá um trago. Suas vias respiratórias estão todas entupidas, eu não sinto gosto, eu não sinto cheiro, eu não sinto nada. Corre, Mariana, vai perder o ônibus. Eu me sinto como Mariana, eu sou Mariana, eu tento reafirmar tudo que aquilo que, na verdade, nunca ficou afirmado. Eu sou a simples cidadã urbana pegando mais uma condução, mesmo não tendo votado.

Minha opinião como jovem não é nula, é partidária, mas eu não voto. E outra, eu não acredito mais nas minhas fantasias de menina. Mariana não se considera mais uma socialista vivendo num mundo devastadoramente capitalista passível de mudanças. Chegou a um ponto que eu não tenho mais crenças políticas, minha ideologia circula atualmente entre o meu ex-pensamento marxista e o meu ex-sentimento de mundo. Mariana continua pensando, ela continua sentindo. Mesmo sem sentir gosto ou cheiro.

Ela já sentiu o cheiro de morte que ela jamais viu, ela continua sentindo o gosto da fome que ela jamais provou, ela continua sentindo o cheiro de revolução que ela jamais presenciou. Mariana, você é só mais uma. Ela não se sente mais uma, certo? Você é uma entre tantos jovens que tentam expressar sentimentos através de uma pseudo arte e pseudo profissão. Acorda, Mariana, ser escritora é sua profissão? E o que você tem de retorno por esse trabalho um tanto incomum? Profissão de merda, porque uns nascem para serem advogados, ou mesmo empresários e obtêm sucesso.

Que porra é sucesso? Vou comprar um carro, uma casa, um parceiro sexual, vou comprar a minha felicidade. Mariana diz; você é um fodido. O que você tem aí dentro para compensar tudo que vem de fora? Você é um fodido por planejar toda a sua vida, por traçar metas a partir do que é mais ralo no mundo. E se você acha que tem o carinho de alguém pelo que você aparenta sustentar como “bem sucedido” você é mais fodido ainda.

Mariana não tem lado. Ela não veio de família de esquerda ou de direita. Ela não veio de riqueza ou pobreza. Ela não leu na revista de moda o que ela deveria ser. Ela entende... Isso ou aquilo jamais deveria ser. Temo o que será do mundo e de você. Mariana largou a profissão, ela não tem pais nem certezas. Mas, mesmo sem saber por que, você acredita nela.


Escrito por Rafaela Uchoa às 03h07
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